Os meses de fevereiro e março nas escolas “A Natureza é a melhor sala de aula” foram bastante movimentados e atarefados. Após a pesquisa e conhecimento da biodiversidade dos jardins das escolas em janeiro, os meses seguintes foram um pouco mais práticos e o tempo passado no exterior, esse também tem sido cada vez maior! Deixamos aqui alguns exemplos da dinamização dos desafios lançados nestes dois meses.

Reconhecer as diferentes formas e silhuetas das espécies arbóreas e arbustivas nas escolas e de que forma isso se pode relacionar com a biodiversidade ou a falta dela, foi o segundo desafio lançado a todas as nossas escolas. A matemática, geografia e geometria andaram sempre de mãos dadas com a Natureza, bem como as línguas e as expressões. Não só os resultados, mas a forma como esta atividade foi desenvolvida pelos professores foi bastante diferente e criativa.

Na EB do Castro, Trofa os alunos deram preferência às flores do jardim da escola para serem analisadas ao centímetro. Foram vários os esboços e desenhos de pormenor, o que permitiu concluir que o jardim era muito mais diverso do que o que imaginavam! Além disso, por estarem tanto tempo sentados, imóveis, ao lado das flores, conseguiram aperceber-se da biodiversidade de fauna ali existente, desde insetos às aves, que pela tranquilidade dos “artistas” ganharam coragem para se aproximarem. Esta forma de explorar os espaços verdes foi comum a muitas outras escolas. Na EB1 Recarei, Paredes, foram lançadas várias questões e quando desafiados a indicar qual o local mais rico em diversidade da escola, foi rápida a respostas “as sebes rasteiras e a zona de erva do charco abrigam muito mais biodiversidade. Já as zonas de recreio, mais expostas, com menos vegetação e mais movimento, “são menos seguras, pois estão expostas a predadores”.

Na EB1 Monte Calvário, Maia, todos os materiais vegetais que vão caindo dentro do recinto escolar e até mesmo as árvores de fruto foram exploradas ao detalhe! Os pontos cardeais foram estudados no jardim da escola e até descobriram que os líquenes que vestiam muitas das árvores tinham uma disposição particular e eram um bom indicador da qualidade do ar. Na Escola Infanta D. Mafalda, Gondomar o desafio foi mais complexo. A docente criou um “peddy-paper” que iria colocar os alunos frente a frente com a realidade natural do espaço escolar! Habituados a uma realidade cada vez mais ligada ao mundo virtual, os alunos surpreenderam-se e entusiasmaram-se com a dinâmica das descobertas feitas ao longo de um percurso muito simples, que já lhes era familiar, mas que nunca o tinham olhado e observado verdadeiramente! As repostas às 20 questões de observação e registo foram surpreendentes, bem como os esboços dos vários elementos que iam encontrando.

Com a Primavera a chegar, muitas espécies de fauna começam a construir os seus ninhos e os seus abrigos para acolher a próxima geração. Assim, em março, foi tempo de conhecer quais os abrigos dos animais que existiam nas escolas. Seriam grandes, pequenos, variados, estariam no chão ou no cima das árvores? De que forma a sua estrutura e localização estaria relacionado com a ecologia das espécies?

Na EB do Buzio, Vale de Cambra, após descobrirem um ninho numa árvore na sua escola, decidiram ir à biblioteca investigar um pouco mais sobre ele e acabaram por analisar o livro: A casa-ninho: Abrigos para a fauna selvagem em nossas casas de Jean-François Noblet. Neste livro, puderam descobrir muito sobre ninhos reais e os materiais de que podem ser feitos, mas também muito sobre abrigos artificiais e até imagináveis! Após a pesquisa foi tempo de por mãos à obra! Folhas, fitas da fiteira, palha seca e algum musgo serviram de base para recriarem a arte das aves e da construção de ninhos. O resultado foi incrível e a expressão de alegria e conquista expressa bem o sucesso de todos! Na ES de Escariz, Arouca, parte do trabalho também passou pela biblioteca para conhecer melhor as aves que habitavam a escola: pardais (Passer domesticus), alvéola-branca (Motacilla alba) (bem atrevidas!), piscos-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) e melro preto (Turdus merula). O desafio maior foi a construção dos ninhos, quase como réplicas dos que viram, “uma verdadeira luta” :), “vida de pássaro não é fácil”, concluiu uma das alunas.

Em Alfena, Valongo, na Escolas Secundária, os alunos aproveitaram os ninhos produzidos na escola e instalados nas árvores para perceber quais os materiais que as aves usavam no seu interior. Este foi o mote para estudar melhor a ecologia das espécies bem como o papel destas espécies no ecossistema. No AE de Rates, Póvoa de Varzim construir ninhos semelhantes aos encontrados nas árvores da escola foi igualmente uma tarefa complicada, o que permitiu concluir que as aves, são “verdadeiramente artistas da Natureza”, “pensava que era muito fácil construir um ninho… Afinal é difícil! As aves são mesmo artistas! E têm um bico tão pequeno… Como é possível? Como é que elas conseguem?” No final do trabalho, os ninhos foram colocadas em árvores na escola. Quem sabe, algum deles seja utilizado nesta primavera! Na Escola Infanta D. Mafalda, Gondomar a atividade também passou por estudar casas, abrigos e ninhos, mas o entusiasmo foi tal que decidiram levar a mesma ao um patamar bem diferente. A recetividade foi excelente e desta forma os docentes do 2º ciclo adoptaram a ideia e canalizaram-na para ser o mote para o Dia do Agrupamento, alargando-a assim a uma exposição de ninhos e um workshop de construção de casas ninhos em madeira, comedouros e bebedouros para aves. O evento aconteceu por estes dias e foram convidados a participar todos os alunos, pais, docentes e até avós! Seguramente que as aves desta escola vão gostar ainda mais de andar por ali.

Já no AE Gaia Nascente, Vila Nova de Gaia, ao longo do desenvolvimento desta atividade, a turma envolvida e a sua professora foram criando um vinculo muito curioso com uma das aves que habitava na escola. Mesmo sem se aperceberem, um melro fazia ninho numa árvore bem perto da janela da sala de aula. Não se deixou intimidar pelos jovens aprendizes de ornitólogos e ali permaneceu, bem tranquilo! Foram sem dúvida momentos de grande entusiasmo e euforia, pois a maior parte dos alunos nunca tinham visto um ninho tão perto e com a ave lá dentro! A observação habitual permitiu perceber quais os materiais usados, bem como alguns dos hábitos desta espécie. Além deste habitante, os alunos estudaram ainda os ninhos existentes de pega-rabuda (Pica pica) e de pardais. Produziram fichas identificativas sobre as espécies, habitat, alimentação, reprodução e tipo de ninhos.

Na EB1 Monte Calvário, Maia, os registos dos ninhos observados e estudados tornaram-se verdadeiros murais dentro da sala de aula, e alguns deles com um grau de pormenor muito interessante. Na EB1 de Recairei Paredes, a história ligada aos ninhos de aves já é antiga, pois em tempos houve na escola um concurso da melhor caixa ninho, pelo que, decidiram estudar também outros tipos de abrigos e ninhos existentes na escola. Um formigueiro para as formigas, a vegetação e o musgo para muitos caracóis e outros insetos e claro, os ninhos naturais feitos pelas aves. Na EB do Castro, Trofa a exploração do tema começou com um documentário sobre migrações. Noutro dia, saíram para o jardim e para surpresa dos professores, conseguiram permanecer em completo silencio a ouvir os sons da natureza e claro, facilmente o canto dos pássaros se destacou. “Já passamos mais do que uma vez pelos mesmos sítios, mas vimos sempre coisas novas”, comentou uma das alunas.

Para grande surpresa, na EB1 da Vilarinha Porto, um dos ninhos construído pelos alunos serviu temporariamente para acolher um passarinho bebé que caiu de um alçapão na escola. O ninho, feito pelas mãos pequeninas, mas habilidosas destes alunos, serviu na perfeição para dar ao pequenote algum conforto. Esperemos que ao ser novamente devolvido ao jardim da escola, os pais deste pequeno pardal o ouçam e acolham novamente!

Continuamos a receber os registos das nossas escolas e os testemunhos tem sido muito positivos, desde o espírito de equipa e de cooperação entre alunos durante a realização das tarefas ao ar livre, à sensação de bem estar, a capacidade de realizar tarefas minuciosas que exigem alguma motricidade fina e destreza, até ao despertar dos sentidos, maior atenção e concentração.

A atividade de abril já está a ser desenvolvida e desta vez o desafio foi ainda maior! Aguardamos com ansiedade por mais desenhos, fotografias, comentários, vídeos e muito mais!

Parabéns a todos!

Veja AQUI algumas fotos das atividades realizadas nas escolas. Todas as fotografias foram tiradas pelos docentes participantes no projeto A Natureza é a melhor sala de aula e os devidos créditos estão presentes nas mesmas.

 

O projeto educativo “A Natureza é a melhor sala de aula”, promovido pelo CRE.Porto – Centro Regional de Excelência em Educação para o Desenvolvimento Sustentável da Área Metropolitana do Porto. O CRE.Porto é uma rede de educação-ação para a sustentabilidade liderada pela Universidade Católica Portuguesa – Porto e pela Área Metropolitana do Porto.