No âmbito do projeto "Bosques Norte Litoral, a promover a biodiversidade", Vila do Conde acolheu mais uma intervenção de restauro ecológico com a instalação de um novo bosque de espécies nativas no nó de Fajozes. As ações de plantação decorreram entre o final de março e o início de abril de 2026, contando com o valioso contributo de voluntários. A primeira ação de monitorização realizou-se a 27 de abril, incidindo sobre uma das parcelas intervencionadas.

Após a criação do primeiro bosque no nó de Modivas, em março de 2024, o projeto regressou ao território para dar continuidade ao reforço da infraestrutura verde local. Situado na saída 14 da A28, junto à localidade de Fajozes, o novo espaço foi preparado através de diversas intervenções prévias, incluindo o controlo de espécies invasoras, a limpeza do terreno e a marcação dos locais de plantação.

A primeira árvore foi instalada no dia 30 de março. Ao longo de três jornadas de trabalho, foi possível plantar 1.615 árvores e arbustos nativos, revitalizando uma área próxima dos dois hectares. Entre as espécies introduzidas encontram-se a bétula (Betula pubescens), o carvalho-alvarinho (Quercus robur) e a gilbardeira (Ruscus aculeatus), contribuindo para o aumento da biodiversidade e para a valorização ecológica do espaço.

No dia 31 de março, a iniciativa contou ainda com a participação de 13 voluntários da Via Livre, cujo envolvimento reforçou o impacto positivo da intervenção. A criação destes novos bosques contribui para a melhoria da qualidade do ar, a proteção dos solos, a regulação da temperatura local e a mitigação dos efeitos das alterações climáticas, promovendo simultaneamente habitats mais favoráveis à fauna e flora autóctones.

Uma das particularidades desta intervenção foi a instalação de uma minifloresta baseada no Método Miyawaki, numa das parcelas do nó de Fajozes. Desenvolvido pelo botânico japonês Akira Miyawaki, este método assenta na plantação muito densa de espécies nativas, promovendo a competição benéfica entre plantas e acelerando a formação de ecossistemas florestais jovens, diversificados e resilientes.

Cerca de um mês após a plantação, técnicos do FUTURO/CRE.Porto realizaram uma ação de monitorização para avaliar o estado das plantas e a qualidade da intervenção. Esta etapa é fundamental para identificar eventuais problemas, corrigir situações e acompanhar o desenvolvimento do bosque.

Os resultados obtidos são bastante encorajadores. Na parcela 2, foram monitorizados 476 locais de plantação, tendo sido registadas 449 plantas vivas, correspondentes a uma taxa de sobrevivência de 94,3%. Já na área da minifloresta Miyawaki foram avaliados os 300 locais de plantação, verificando-se a sobrevivência de 277 exemplares, o que representa uma taxa de sobrevivência de 92,3%.

Muitas das espécies apresentam um desenvolvimento saudável e vigoroso. O rosmaninho  (Lavandula stoechas) e a murta (Myrtus communis), por exemplo, encontravam-se já em floração durante a monitorização. Apesar de desafios como a presença de espécies invasoras e a compactação do solo em determinados locais, os resultados demonstram uma eficácia da intervenção.

O sucesso da plantação começa também a refletir-se no regresso da fauna ao local. Durante os trabalhos de monitorização foi observada a presença de joaninhas (Coccinella sp.), importantes bioindicadoras da qualidade ambiental. A sua ocorrência sugere condições ecológicas favoráveis e o progressivo estabelecimento de um ecossistema mais equilibrado, tendo sido observadas sobre exemplares de lódão (Celtis australis).

Concluída esta fase do projeto, os próximos passos passam pela monitorização regular das áreas intervencionadas, assegurando a manutenção das plantações e a resolução atempada de eventuais problemas. O objetivo é continuar a expandir a rede de Bosques Norte Litoral, promovendo a biodiversidade e reforçando a resiliência ecológica do território.

Agradecemos a todos os técnicos, operacionais e voluntários que contribuíram para esta iniciativa, dedicando o seu tempo e esforço ao restauro ecológico e à conservação da Natureza. 💚

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Estas ações foram desenvolvidas no âmbito do "Projeto Bosques Norte Litoral, a promover a biodiversidade", promovido pela Câmara Municipal de Vila do Conde e a concessionária Autoestradas Norte Litoral, com a colaboração da Universidade Católica Portuguesa, no âmbito da iniciativa FUTURO/CRE.Porto.