No Município de S. João da Madeira é a comunidade escolar que, desde 2013, se destaca no âmbito de atuação do projeto FUTURO, pois acolheram a iniciativa Da Semente à Árvore e integraram a Rede de Escolas do FUTURO, com a premissa de sensibilizar e promover as espécies e os bosques nativos na região. E, nos últimos anos, a acrescente participação das escolas sanjoanenses no projeto A Natureza é a Melhor Sala de Aula evidencia o intuito de experienciar a natureza.

Enaltecendo essa motivação, para o ano letivo 2021/2022 o CRE.Porto e a Câmara Municipal de S. João da Madeira voltaram a lançar um desafio à comunidade escolar: controlar as plantas invasoras existentes no recreio das escolas, sendo os alunos e os seus docentes os principais agentes de intervenção, mediados pela equipa em momentos decisivos.

Do Agrupamento de Escolas João da Silva Correia, cinco turmas do oitavo ano e uma do décimo ano, abraçaram este projeto ao qual se designou de RELI – Recreios Escolares Livres de Invasoras, com o mote de capacitar, controlar e restaurar os espaços verdes das escolas para serem locais sem plantas invasoras, pois tanto comprometem a integridade dos ecossistemas, pelas ameaças que apresentam, como por exemplo, à biodiversidade autóctone e à qualidade do solo do nosso território. Temas pertinentes e que se enquadram nos conteúdos programáticos dos estudantes, fazendo sentido juntarem-se a esta iniciativa.

 Nos dias 25, 26 e 29 de novembro, o projeto iniciou com sessões de formação nas turmas envolvidas, para os alunos saberem identificar as plantas invasoras, quais as características que as tornam competidoras implacáveis, os seus impactes e que métodos de controlo ou erradicação se podem aplicar no seu combate. Com o conhecimento recente na mente dos agentes de mudança, 147 alunos e 4 docentes, após a capacitação, deram os primeiros passos para avançar com o objetivo de terem os recreios livres de invasoras: percorreram o recinto escolar à procura destas plantas, de modo a realizar o levantamento das espécies existentes e o respetivo mapeamento. As espécies invasoras encontradas foram: a ervas-das-pampas (Cortaderia selloana), a acácia-de-espigas (Acacia longifolia), a austrália (Acacia melanoxylon), a tintureira (Phytolacca americana) e, como espécie casual com potencial invasor, o jarro (Zantedeschia aethiopica).

Esta primeira fase de trabalho ficou concluída e servirá para a comunidade escolar, agora de forma autónoma, refletir sobre o melhor método de controlo a aplicar em cada situação e elaborar um plano de controlo, que depois de validado, será posto em ação pelos alunos, de forma colaborativa entre as turmas, com o auxílio do Município.

Para os mais novos, alunos de ensino primário e jardim de infância, a abordagem passará por apresentar o conceito de planta invasora e descobrir o mundo maravilhoso das plantas nativas, para que possam reconhecer o que espontaneamente cresce na região.

O modo de operação predileto no âmbito do CRE.Porto é sempre o de educação-ação e surge assim mais um projeto-piloto com esse foco, que pretende transmitir as ferramentas necessárias para os alunos se tornarem vozes ativas e mobilizadoras em prol da restauração e conservação do património nativo, num espaço onde passam grande parte do seu tempo.